abril 10, 2004

Porque vieste em Abril, sobre blindados de cravos

PORTUGAL RESSUSCITADO

Depois da fome, da guerra
da prisão e da tortura
vi abrir-se a minha terra
como um cravo de ternura.

Vi nas ruas da cidade
o coração do meu povo
gaivota da liberdade
voando num Tejo novo.

Agora o povo unido
nunca mais será vencido
Nunca mais será vencido.

Vi nas bocas vi nos olhos
nos braços nas mãos acesas
cravos vermelhos aos molhos
rosas livres portuguesas.

Vi as portas da prisão
abertas de par em par
vi passar a procissão
do meu país a cantar

Agora o povo unido
nunca mais será vencido
nunca mais será vencido

Nunca mais nos curvaremos
às armas da repressão
somos a força que temos
a pulsar no coração

Enquanto nos mantivermos
todos juntos lado a lado
somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado

Agora o povo unido
nunca mais será vencido
nunca mais será vencido.

José Carlos Ary dos Santos
(Caxias, 26 de Abril de 1974)

Publicado por José Gonçalves às 12:51 PM

abril 07, 2004

A DIREITA EM PORTUGAL E O 25 DE ABRIL

As comemorações do dia da Liberdade, estarão hoje, mais do que ontem
despidas do seu conteúdo revolucionário.
O quadro optimista e futurista que o executivo pretende apresentar, no ano 30 da revolução dos cravos, mais não visará que ocultar aos olhos das gerações mais novas, o contributo que aquele movimento, legou aos Portugueses.
Para este executivo, passar uma esponja sobre o passado, omitir a opressão em contraponto com as novas tecnologias, trocar Revolução por “evolução”, é admitir algum desconforto, numas comemorações que deveriam assinalar o ascendente da Liberdade e o declínio dos seus progenitores políticos.

Publicado por José Gonçalves às 09:40 PM | Comentários (4)

abril 06, 2004

A LIBERDADE VEIO PARA FICAR!

Porque Abril existiu, como ode primaveril à Liberdade.
Porque a vontade de um punhado de homens se sobrepôs
à libertinagem dos conceitos de uma minoria.
Porque em Abril renasceu a esperança, num futuro vivo
Poetas ousaram, sem cantar Abril, cantar as dores do seu
povo. E Abril renasceu, nos peitos doridos, nas mentes violadas
soltando grilhetas e mordaças, num hino crescente de Liberdade.

Abril de sim, Abril de Não
Manuel Alegre

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.

Publicado por José Gonçalves às 08:04 PM | Comentários (4)